BEM ME QUER, MAL ME QUER




O filme Bem Me Quer, Mal Me Quer mostra o lado sombrio de uma irreverente estudante de artes que não consegue satisfazer suas expectativas no romance com um médico casado.

A protagonista é a francesa Audrey Tatou, em seu primeiro papel principal desde O Fabuloso Destino de Amélie Poulain. O filme da roteirista e diretora de primeira viagem Laetitia Colombani é um tanto quanto formal, mas compõe um quadro que surpreende e cativa o espectador atento.

Ambientada na ensolarada região de Bordeaux, na França, a história começa com a quase irritantemente adorável Angelique (Tautou) convencendo o dono de uma floricultura a entregar uma única rosa ao objeto de seu afeto, o cardiologista de 30 e poucos anos Loic Le Garrec (Samuel Le Bihan), que possui muitos pacientes e uma esposa grávida (Isabelle Carre).

Angelique, órfã cujo pai também era artista, ganha uma bolsa de estudos e a oportunidade de expor seu trabalho numa mostra coletiva em Paris, apesar de reproduzir Loic em quase todos os seus quadros, no lugar do modelo desenhado pelo resto da classe.

Ela trabalha meio período num bar ao lado de sua melhor amiga, a mãe solteira Heloise (Sophie Guillemin), e além disso faz babysitting para uma mulher que possui uma casa grande nos subúrbios, repleta de plantas exóticas.

Um estudante de medicina de sua idade, David (Clement Sibony), é louco por Angelique, mas ela continua apaixonada pelo mais velho Loic.

Apesar de ficar furiosa quando ele a deixa para fazer uma viagem a Florença, Angelique toma medidas drásticas para defender seu amado quando uma de suas pacientes o acusa publicamente de assédio.

Deprimida por diversas razões, Angelique liga o gás na cozinha e aguarda o inevitável.

Então, 40 minutos depois do começo do filme, tudo que o público viu até esse momento é repassado rapidamente de trás para frente, voltando à cena inicial na floricultura. Daquele momento em diante, assistimos novamente aos mesmos acontecimentos - dessa vez, porém, mostrados do ponto de vista de Loic.

O contraste é inteligente e surpreendente. Há vários finais falsos, mas o desenlace que acaba prevalecendo faz a ida ao cinema valer a pena.

Tanto Tatou quanto Le Bihan trazem as nuances certas para suas performances e os gestos de cada personagem se encaixam perfeitamente num contexto cuja complexidade vai sendo revelada aos poucos e com grande habilidade. Mas a precisão do roteiro faz com que o filme seja mais compensador em termos mentais do que emocionais.

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