O Curdistão, na verdade, nunca existiu, não chegou a ver a sua identidade reconhecida, não criou até hoje uma forte e duradoura base política e tampouco se organizou como nação. O resultado reflete o caráter nômade de um povo tribal, espalhado por áreas retalhadas, distribuídas entre o Iraque, o Irã e a Turquia, vivendo como estrangeiros exilados em terras que, inacreditavelmente, sempre foram suas. A triste situação sócio-política dos curdos traz em sua história os inúmeros embates com o governo iraquiano, que não os poupou de verdadeiras atrocidades cometidas após a invasão do Kuwait. Do lado iraniano, a história curda não é menos cruel, com aldeias miseráveis e abandonadas, o que se repete no lado turco, com miséria semelhante e uma forte presença militar conjugada com as permanentes queixas curdas de uma realidade bizarra e para lá de desesperançosa. O diretor iraniano Bahman Ghobadi retrata a dura sorte do povo curdo no mundo árabe justamente num pobre acampamento para refugiados no lado iraquiano, alguns dias antes da guerra do Iraque com os Estados Unidos.
