CIDADES REBELDES


Duas semanas de rebelião urbana que mudarão a história política brasileira? A mais rápida, expressiva e surpreendente vitória popular de que se tem notícia em nosso país? Quem o diz não são os manifestantes mais envolvidos, mas a própria grande imprensa, num raro e único momento de perplexidade confessa. Até o próximo round, quando outros atores finalmente entrarem em cena, saberemos se as Jornadas de Junho começaram de fato a desmanchar o consenso entre “direita” e “esquerda” acerca do modus operandi do capitalismo no Brasil. 

Há vinte anos o país se tornou uma tremenda fábrica de consentimento, todos empenhados em se deixar esfolar com fervor. Batemos no teto? É o que a derrapagem histórica que detonou todo o processo sugere. Pela primeira vez a violência que restou da ditadura – e a “democracia” aprimorou –, aprisionando a política no aparato judiciário-policial, por algum motivo não funcionou dessa vez. Um limiar certamente foi transposto. Resta saber qual, e logo. No que tudo isso vai dar? “Já está dando”, disse-me outro dia um taxista.

Paulo Arantes





Sobre os autores 



Carlos Vainer é professor titular do instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Ippur-UFRJ) e coordenador da Rede de Observatórios de conflitos Urbanos e do Núcleo Experimental de Planejamento Conflitual. 




David Harvey, geógrafo britânico, é professor de antropologia na pós-graduação da Universidade da cidade de Nova York e professor de geografia aposentado das universidades Johns Hopkins e Oxford. Autor de diversos livros, pela Boitempo lançou O enigma do capital (2011) e Para entender `O capital` (2013). 







Ermínia Maricato, professora titular da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAUUSP) e professora visitante da Unicamp, formulou a proposta do Ministério das cidades, onde foi ministra adjunta (2003-2005). É autora do livro O impasse da política urbana no Brasil(Vozes, 2011). 






Felipe Brito é doutor em serviço social pela UFRJ e professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), no Polo Universitário de Rio das Ostras. Em pareceria com Pedro Rocha de Oliveira, organizou Até o último homem: visões cariocas da administração armada da vida social(Boitempo, 2013). 






João Alexandre Peschanski, editor-adjunto da Boitempo Editorial, é doutorando em sociologia na Universidade de Wisconsin-Madison (EUA). Organizou, com Ivana Jinkings, As utopias de Michael Löwy (Boitempo, 2007). É colunista do Blog da Boitempo. 






Jorge Luiz Souto Maior é jurista e professor livre-docente da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). Autor de Relação de emprego e direito do trabalho (2007) e O direito do trabalho como instrumento de justiça social (2000), pela LTR. 






Leonardo Sakamoto, jornalista, é doutor em ciência política pela Universidade de São Paulo e professor de jornalismo da Pontifícia Universidade católica de São Paulo (PUC-SP). É coordenador da ONG Repórter Brasil e colunista do portal UOL. 






Lincoln Secco, professor do Departamento de História da USP, é autor dos livros Gramsci e o Brasil (Cortez, 1995), A Revolução dos Cravos (Alameda, 2005) e Caio Prado Júnior (Boitempo, 2008). É colunista do Blog da Boitempo. 







Mauro Luis Iasi é professor-adjunto da Escola de Serviço Social da UFRJ, pesquisador do Núcleo de Estudos e Pesquisas Marxistas, membro do comitê central do Partido comunista brasileiro (PCB), presidente da Associação de Docentes da UFRJ (Adufrj-SSind) e colunista do Blog da Boitempo. 




Mike Davis foi caminhoneiro, açougueiro e militante estudantil antes de se tornar professor no Departamento de História da Universidade da Califórnia (UCLA), como especialista nas relações entre urbanismo e meio ambiente. Pela Boitempo, é autor de Planeta favela (2006), Apologia dos bárbaros(2008) e Cidade de quartzo (2009). 







Movimento Passe Livre é um movimento social autônomo, apartidário e horizontal, cuja principal luta centra-se na gratuidade de um transporte público de qualidade. Foi oficializado em 2005, em Porto Alegre, na Plenária Nacional pelo Passe Livre, organizada durante o Fórum Social Mundial. 

Paulo Arantes é professor aposentado do Departamento de Filosofia da USP. Publicou, entre outros livros, Hegel: a ordem do tempo (Hucitec, 2000) e Extinção (Boitempo, 2007). Coordena a coleção Estado de Sítio, da Boitempo Editorial.


Pedro Rocha de Oliveira formou-se em filosofia na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) e é mestre e doutor em filosofia pela Pontifícia Universidade católica do Rio de Janeiro (PUc-RJ). É organizador de Até o último homem (Boitempo, 2013), em parceria com Felipe Brito. 






Raquel Rolnik, arquiteta e urbanista, é professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP e relatora especial do conselho de Direitos Humanos da ONU para o Direito à Moradia Adequada. Autora de A cidade e a lei (Fapesp/Studio Nobel, 1997) e O que é cidade (Brasiliense, 1988), entre outros livros. 






Roberto Schwarz, formado em ciências sociais pela USP, é crítico literário e professor aposentado de teoria literária. Entre diversos outros títulos, é autor de Um mestre na periferia do capitalismo (1990) e Ao vencedor as batatas (1977), ambos pela Duas cidades. 







Ruy Braga é professor do Departamento de Sociologia da USP. Autor de A política do precariado (2012) e organizador de Hegemonia às avessas: economia, política e cultura na era da servidão financeira (2010), em parceria com Francisco de Oliveira e Cibele Rizek. É colunista do Blog da Boitempo. 






Silvia Viana, mestre e doutora em sociologia pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, é professora de sociologia da Fundação Getulio Vargas de São Paulo (FGV). Pela Boitempo, publicou o livro Rituais de sofrimento (2013). 








Slavoj Žižek, filósofo e psicanalista esloveno, é presidente da Sociedade pela Psicanálise Teórica, de Liubliana, e diretor do Instituto de Humanidades da Universidade Birkbeck, de Londres. Possui nove livros traduzidos pela Boitempo, incluindo, Menos que nada (2013) e O ano em que sonhamos perigosamente (2012). Integra o conselho editorial da Margem Esquerda. 



Venício A. de Lima, jornalista e sociólogo, é professor titular aposentado de ciência política e de comunicação na Universidade de Brasília (UnB). Publicou, entre outros livros, Liberdade de expressão x liberdade de imprensa(Publisher Brasil, 2010) e Comunicação e cultura: as ideias de Paulo Freire(Perseu Abramo, 2011). 
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