MEIA-NOITE EM PARIS


Não se pode negar que Woody Allen tem um estilo particular e uma maneira muito pessoal de se expressar por meio das imagens em movimento. Em Meia-noite em Paris (Midnight in Paris), homenagem à Cidade Luz, Allen não faz, como muitos pensam, um filme nostálgico, mas uma obra que questiona a ilusão da temporalidade e focaliza mais a angústia do tempo presente. 

O homem tende a achar que outras épocas foram melhores e mais luzidias. Allen observa, no entanto, que toda época tem suas angústias e seus problemas, a exemplo da mulher que o personagem encontra nos anos 20 e diz que somente poderia ser feliz na Belle Époque.. Paris sempre foi para o cinema um motivo de encantamento. A narrativa de Allen conduz a fábula com uma exposição clara, bastando que tudo seja dito com eficiência e humor. E, aderindo ao realismo fantástico, discute a imagem de Paris tão alardeada nos filmes, questionando-a. Como escreveu o crítico Marcelo Hessel, em Meia-noite em Paris Allen defende, com humor e melancolia, que não se deve abdicar da vida em nome da arte, porque, afinal, a arte mais elevada é aquela que nos ajuda a entender a vida.

André Setaro é crítico de cinema e professor de comunicação da Universidade Federal da Bahia (Ufba).

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